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março 11, 2026

Reclamar virou hábito? O que o excesso de reclamações revela sobre nós – H2FOZ

No trânsito, na fila do aeroporto, durante uma caminhada que prometia ser um momento agradável ou até diante de uma refeição preparada com carinho por alguém próximo. Situações cotidianas como essas, muitas vezes simples, acabam tornando-se palco para um comportamento bastante comum: a reclamação.

Assista ao novo episódio:

Quase sem perceber, muitos de nós desenvolvemos o hábito de reclamar. O trânsito está lento, o embarque atrasou, a trilha tem muitos mosquitos, a temperatura não está ideal, a comida poderia estar mais temperada. Pequenos incômodos passam a ocupar um espaço grande nas nossas falas e reações.

Mas o que esse excesso de reclamações pode revelar sobre nós?

Em muitos casos, a reclamação não está diretamente ligada à situação comentada. Ela funciona mais como um canal de extravasamento emocional. Frustrações acumuladas, tensões do dia a dia e sentimentos mal elaborados acabam encontrando uma saída em forma de queixa. A modulação da voz muda, o tom sobe e o foco deixa de ser a situação em si.

Quando isso acontece, a reclamação deixa de ser uma observação pontual e passa a ser apenas um descarrego emocional. É como se utilizássemos o ouvido do outro somente para despejar frustrações que, muitas vezes, têm origem em outros temas ou em outras experiências.

Por outro lado, existe uma diferença importante entre reclamar e posicionar-se de forma saudável.

O posicionamento sadio é aquele que reconhece que algo não está adequado — seja uma falha de organização, um problema de funcionamento ou uma situação que precisa de atenção. Nesse caso, a fala não nasce da irritação ou do impulso, e sim de uma intenção construtiva.

Quando há posicionamento consciente, existe também uma busca por solução. A crítica vem acompanhada de responsabilidade, de cuidado com o coletivo e de uma tentativa real de melhorar o que está acontecendo. Não se trata de silenciar incômodos ou ignorar problemas, mas de expressá-los de maneira equilibrada e com propósito.

Talvez a pergunta que possamos nos fazer seja simples: estamos reclamando apenas para descarregar emoções ou estamos posicionando-nos para contribuir com mudanças?

Refletir sobre isso pode transformar a forma como nos comunicamos e também a maneira como lidamos com as situações do cotidiano.

Para aprofundar essa reflexão, assista ao episódio desta semana do Quem foi que disse, disponível no vídeo aqui da matéria.

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