Ele trouxe para o Brasil as melhores lembranças do Líbano, onde nasceu: o clima amistoso da pequena vila, situada no Vale do Becaa, as recordações do convívio com amigos e familiares, e especialmente os pratos libaneses.
Foi justamente pensando em reviver a atmosfera libanesa em Foz do Iguaçu, com todas as peculiaridades possíveis, que o comerciante Nadin Salam, 43 anos, resolveu fazer um prato pouco conhecido e encontrado na cidade: o knefe.
Doce tradicional dos países árabes, o knefe é uma sobremesa elaborada com manteiga gee, massa de semolina, queijo derretido e finalizada com água de rosa e flor de laranjeira. Um sabor inigualável e pouco conhecido do paladar brasileiro.
Nadin mesmo que prepara o prato. Com tino para culinária, ele é graduado em Gestão de Hotéis no Líbano, onde teve aulas sobre a cozinha libanesa. Em Foz do Iguaçu, tem um pequeno mercadinho no Jardim Central, conhecido por ser o bairro árabe da cidade, no qual faz e serve o knefe, bem como vende produtos típicos do Líbano pouco encontrados por aí.

Ele prepara o doce em um verdadeiro ritual culinário que pode ser acompanhado pelos clientes. Pacientemente, Nadin faz a massa, cujo principal ingrediente é a semolina, e a coloca para tostar em uma assadeira de cobre que pesa quase cinco quilos, untada com manteiga ghee. Ao mesmo tempo que cozinha, conta histórias e entretém a plateia atenta com a memória afetiva do país de origem.
Em seguida, a massa leva uma camada de queijo derretido e é finalizada com água de rosa e flor de laranjeira. Com sabor que fica entre o doce e o salgado, o knefe é um prato que vale a pena experimentar.
Assista o vídeo:
Turistas vivenciam atmosfera libanesa
O knefe de Nadin está tornando-se atração turística de Foz do Iguaçu. Muitos visitantes, além de percorrer os pontos mais tradicionais do roteiro, a exemplo das Cataratas do Iguaçu e de Ciudad del Este, também apreciam vivenciar um pouco das características da cidade e dos moradores.
Foi isso que o casal carioca Iure Caldas, 33 anos, e Sabrina Caldas, 40 anos, fez. Pela segunda vez em Foz do Iguaçu, eles chegaram ao mercadinho do Nadin por sugestão de um taxista. E, literalmente, amaram aquele pedacinho do Líbano.
“Aqui é diferente, aqui é que tudo é muito familiar”, contou Iure. Já Sabrina disse ter se sentido muito confortável em Foz e se surpreendido com a culinária árabe, incluindo o knefe. Segundo ela, quando viaja para um lugar que transmite tranquilidade e familiaridade, quer voltar.

Foz, a vila que ficou no Líbano
Nadin chegou à fronteira há cerca de 20 anos, na década de 1990, pouco tempo depois de o seu pai deixar o Líbano. A família transitava entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, onde teve um restaurante.
Em 2008, os pais de Nadin resolveram voltar para o país de origem, mas ele se encantou tanto com Foz do Iguaçu que decidiu ficar. “A gente encontra em Foz uma vila que deixou no Líbano.”
De acordo com ele, decidiu vender o knefe porque sempre busca oferecer aos clientes algo novo e trazer para o Brasil aquilo que dá saudade do Líbano.
