Reformulação administrativa com estrutura enxuta e integrada para atingir maior eficiência e qualidade foi o que assinou o prefeito Joaquim Silva e Luna (PL) em compromisso com o eleitor, em campanha. Treze meses depois, o que se vê é o desmonte da equipe instalada em 1.º de janeiro de 2025, alto número de cargos político-partidários e uma estrutura que custa mais caro ao contribuinte.
Empurrado pelo desgaste, em rapidez que surpreende por tratar-se de mandatário de primeiro mandato, eleito com expressiva votação, o prefeito abre o ano reformando o governo. Busca represar críticas que provocam erosão na popularidade e enfraquecem a base política e social que o levou à vitória em primeiro turno.
Silva e Luna já trocou um terço dos auxiliares do primeiro escalão. Nesta semana, pedidos de exoneração e “degolas”, jargão da política, atingiram cinco pastas essenciais: trânsito, mobilidade, obras, procuradoria e planejamento. Em outras áreas, houve rodízio de secretários. Antes, afastamentos ocorreram por denúncias, choques internos na governança ou desempenho insuficiente, além de fiascos, como o do Natal.
Quem muda almeja avançar. Problema para Silva e Luna, já que a recomposição que faz do time não promove renovação técnica nem política, pois os novos secretários e dirigentes, dentro dos “ajustes na estrutura da prefeitura”, como denominou, permeiam a mesma estrutura interna do próprio governo. É mais do mesmo entre os que já estavam.
O prefeito perdeu a oportunidade de resgatar o ponto assumido em seu plano de governo, ou planejamento estratégico, que é reduzir a estrutura político-partidária da gestão, valorizando servidores concursados.
“Nosso compromisso é não aumentar o número de secretarias, agências e outras entidades administrativas”, afirmou. “Não teremos políticos de estimação”, prometeu.
Contudo, a reforma de Silva e Luna acomoda aliados do grupo político, cria a Secretaria Extraordinária de Governo, com finalidade muito similar à da pasta já existente. Eleva para 24 o número de estruturas (20 secretarias e 4 fundações e autarquias) sob seu comando.
Ainda, a gestão recicla nomes que não apresentaram resultados em suas pastas de origem. Ex-secretárias de Obras e Transporte foram exoneradas, mas imediatamente realocadas em cargos de assessoria no gabinete, o que bloqueia a oxigenação administrativa e impede novas lideranças e perspectivas.
As mudanças promovidas por Silva e Luna indicam, assim, um governo que encolhe sobre si mesmo, fechado em um círculo incapaz de responder, com a urgência e a eficiência exigidas, às demandas do iguaçuense.