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julho 21, 2026

Lideranças guaranis divulgam manifesto por melhorias na educação indígena – H2FOZ

Um manifesto sobre a educação marcou o final do III Encontro de Mbo’ ehara Kuera e Lideranças Guarani sobre Educação Escolar, realizado de 16 a 18 de julho, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu.

Durante o evento, que reuniu cerca de cem pessoas, incluindo professores avá-guarani da Argentina e do Paraguai, foram apontados inúmeros problemas existentes de terras indígenas do Oeste do Paraná, entre os quais falta de docentes indígenas e de estrutura física nas escolas, assim como evasão escolar.

Conforme o documento, a educação deixou de ser “lugar” prazeroso, transformando-se em “espaço” de trauma e medo. Em algumas terras indígenas não há escola, e crianças a partir dos 4 anos precisam estudar em instituições não indígenas. “São monolíngues em Guarani e passam brutalmente a ser alfabetizadas em português”, aponta o manifesto.

encontro professores indígenas
Rezas e cantos fizeram parte da programação. Foto: Osmarina de Oliveira

Outros problemas elencados no documento são:

  • falta de estrutura física para as escolas. São apenas seis escolas na região;
  • somente no Oeste do Paraná são necessários, em 2026, cerca de cem novos professores e cargos de direção que são ocupados por não guaranis;
  • a terceirização e a não realização de concurso público geram insegurança e dificuldades de planejar em médio e longo prazo a ação escolar;
  • abertura de concursos públicos para docente com vagas específicas para professores guaranis no ensino superior;
  • oferta de ensino técnico em diferentes áreas do conhecimento para os jovens, com tema da saúde, artesanato, carpintaria, agricultura, tecnologias, informática e outros;
  • poucos jovens conseguem concluir o ensino médio, porque necessitam trabalhar fora dos Tekoha Kuera desde muito cedo para sustentar a família

Leia também: Com apoio de Itaipu, indígenas praticam piscicultura no Oeste

Encontro professores indígenas
Professores criticaram terceirização da educação. Foto: Osmarina de Oliveia

O documento será enviado ao Ministério da Educação (MEC) e ao Governo do Estado do Paraná. Esse foi o terceiro encontro de professores indígenas. Os dois primeiro foram realizados na comunidade Tekoha Ocoí, em São Miguel do Iguaçu, em 2022 e 2023.

Participaram do evento professores avá-guarani de terras indígenas do Oeste do Paraná e da região do Rio do Areia, no Sudoeste, além de, representantes da Defensoria Pública do Paraná e da Unila, incluindo a reitora Diana Pereira Araújo. Rezas e cantos fizeram parte da programação do encontro, mantendo a tradição dos indígenas.

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